
Saudade das montanhas, e do ventinho frio.
Mãe, me espera para um abraço?
Acordei ainda acelerada pela música de ontem, e pensando no toque das suas mãos que me assustam e me afagam o rosto, os olhos e a alma.
Pegue a chave perdida no passado, e abre a tua boca. Cospe e grita o que não foi dito, o que me foi omitido, o que me foi arrancado durante meu coma.
Em uma caixa de sapato, guardo as melhores imagens de um tempo que éramos mais livres, pintando em preto e branco alegrias sonoras.
Depois do frio e das nuvens, o azul do céu voltou a reinar absoluto, e assim nasce um sorriso solto e leve.
Recordo me bem de um passado cheio de alegria, e era tanto amor que não cabia em um só lugar, precisavamos gritar para o mundo que haviamos nos encontrado. A cidade parecia pequena, e havia uma certa urgência em viver tudo o que parecia um sonho, poderíamos acordar em qualquer momento.
Eu não sei se perdi aquela paz que encontrava em seu abraço, ou se ela se perdeu, talvez deve estar vagando por aí em outros abraços que não o nosso, antes pareciamos tão únicos.
Talvez eu ainda tenha essa careta de menininha querendo fazer arte. E eu bem que levei a sério essa história de arte, deve ser pelos gritos intermináveis de minha mãe mandando eu parar de inventar "moda".
De minha mais doce memória, guardo os passeios de carro ao som do nosso rock´n roll, que eu herdei de você de corpo e alma. Adimiro a sua escolha de viver aqui no Brasil, só para ver eu e minha irmã crescer.
Ja não me resta mais tempo, e a noite caiu, fria e escura...